A chegada de um irmão: quem perde e quem ganha?
irmão mais novo

A chegada de um irmão: quem perde e quem ganha?

Essas frases são quase unânimes:  “ah, agora você vai perder o colo”. Ou “tadinho, agora a atenção vai ser toda do bebê” e mais aquele bocado de frases prontas que a gente costuma repetir sem pensar um minuto sequer no que elas significam de verdade.

Na realidade, o irmão mais velho não perde nada. Nada. Ele ganha: ganha um bebê para aprender o valor da vida que precisa de cada mínimo cuidado. Ganha uma companhia para brincar. Ganha alguém para aprender a dividir os brinquedos e a atenção. Ganha uma testemunha da sua própria biografia. Ganha um amigo. Ganha, principalmente, uma nova e genuína oportunidade de amar.

O medo pela chegada de um novo bebê é, na grande maioria das vezes, fruto da insegurança dos pais muito mais do que dos filhos. Criança não entende bem e perfeitamente o que vai ser a chegada de mais uma pessoa na família e a segurança ela precisa virá dos pais, não dela mesma.

Quanto mais naturalmente os pais lidarem com a chegada do bebê, mais naturalmente os irmãos também lidarão. É quase que instintivo.

Quando nasce um bebê é tudo novo, pra todo mundo. A casa muda. A dinâmica familiar muda. As preocupações e a responsabilidade mudam. Por que não mudaria a vida do irmão mais velho? Muda, claro. E muda pra melhor. Aumenta o sentido da família. Aumenta a expectativa de uma nova personalidade a ser integrada naquele lar. E, aos poucos, a criança vai perceber isso e, quando menos esperar, já não se verá sem a presença daquele que chegou depois.

Se pararmos para pensar, essa é uma preocupação recente na nossa história. Já ouviu seus avós dizerem sobre “como lidavam com o ciúmes dos irmãos” há décadas?

Provavelmente não. Porque era natural a chegada de um bebê. A família era acostumada com isso. Essa ansiedade em não deixar o irmão mais velho “traumatizado” é uma realidade muito recente, consequência das nossas gerações que estão cada vez mais ligadas a uma visão materialista da vida: ter coisas, ter sucesso, ter condições ideais, ter “do bom e do melhor”. As coisas vão dando lugar às pessoas. E, mesmo sem perceber, parece que as famílias já não sabem mais lidar com uma das realidades mais naturais do mundo: o fato de um casal ter filhos.

Pouco a pouco uma coisa vai emendando na outra até os pais “perderem a mão”. E uma condição muito simples, que é a acolhida de um novo membro da família, pode se tornar um problema, um trauma, um empecilho.

A resposta para este dilema é muito clara: deixar que o irmão perceba, antes mesmo que possa entender, que um novo bebê é uma grande alegria. Deixá-lo participar ativamente da chegada deste bebê ajudando com os cuidados diários, dando carinho, atenção, amor – ajudando a integrá-lo na família.

E não menos importante: lembrando que não é a criança que decide se “quer ou não um irmãozinho”. Ela, certamente, será grata aos pais no futuro por terem lhe dado a oportunidade de experimentar a maravilha de ter alguém para dividir a infância e a vida.

O amor cobre tudo!

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